quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Mor'ao cais d'onde me sento


       Eis uma manta de plástico que trepida como batem dentes. Está cheia de calor, a menina?

                Conheces, outra menina, o virar pano do corpo e o escorrer o pano-corpo do tempo, conheces, outra menina? E depois... O veeeeento... O veeeeeeeeeento... Conheces o Veeeento, outra menina? O Veeeeeento tem as mãos frias quando m'escorre o calor do corpo e eu não sei onde guarda o veeeeeento aquilo que me tira. E, ai! outra menina, se tu soubesses a falta que me fazia o Veeeeento não me escorrer o corpinho... Maldito sej'Aquele que manda no Veeeeeento...

      Não deixes cair a cabeça. Agarra com toda a força que tu tiveres, menina, a cabeça, agarra com toda a força que tu tiveres, menina, a cabeça! Com as mãos! Com essas mãos que tu tens pintadas de aperto empurra a cabeça para cima do pescoço, menina. 

                         Eis uma dor de cabeça ao Norte do rio qué má comó Veeeeeeento! Está cheia de sonhos, outra menina?

      Sim. Ai! Ai! Assustei-me com a voz do senhor. 

                        Não é possível. O senhor não fala. O senhor ladra. É amigo do Veeeeeento! 

      Ai que graça que tem o que diz que é verdade. Já estou cheia de sono e passaram-me os solustos. Chega-te p'ra cá que eu quero ir p'ra lá. 



CarolinaGramacho




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